Badi Assad no Teatro Municipal de Uberlândia – HBLOG

A cantora e violonista brasileira Badi Assad é um dos nomes mais celebrados da música brasileira no exterior. Aos 50 anos, segue a toda o seu percurso virtuoso, iniciado aos 14 anos. Consagrada por unir, de forma sempre inusitada, o popular ao erudito, o experimental ao tradicional, a artista se apresenta, pela segunda vez, em Uberlândia, em única sessão, que acontece, nesta sexta-feira (22), no Teatro Municipal de Uberlândia, dentro do projeto Violão nosso de cada dia.
Badi Assad trabalha no lançamento do 14º disco dos 26 anos de carreira, “Hatched”. Lançado no ano passado, nos Estados Unidos, o álbum chega ao Brasil em agosto. “Faço uma releitura do cancioneiro popular do mundo, com o propósito de compartilhar a música feita pelos jovens da cena internacional, nem todos conhecidos, mas a caminho de ser, que têm conteúdo no discurso”, diz Badi Assad, em entrevista ao CORREIO de Uberlândia.

abadiCom 26 anos de carreira, Badi Assad afirma que o experimentalismo do violão levou, primeiramente, ao seu reconhecimento em solo internacional (Foto: Divulgação)

Para o repertório do show no Municipal, a artista apresenta um apanhado de cada fase do percurso. “Desde a última e única vez que fui a Uberlândia, na década de 1990, muita água passou por esse rio”, diz Badi Assad, se referindo ao desenvolvimento de sua carreira fora do País. “O experimentalismo do meu violão e voz me conduziu a uma carreira mais internacional. Na época, o que eu estava fazendo tinha mais entendimento e aceitação por lá”, afirma a cantora.
Seguindo os passos dos irmãos, a paulista de São João da Boa Vista deixou o piano, primeiro instrumento, e agarrou as cordas do violão em 1980. “Meus irmãos abriram as portas para mim e fui naquela avenida. Mas, como tenho uma alma inquieta, percebi que a música erudita não era meu universo. Queria pular aquelas cercas. Rapidamente, comecei a tocar música instrumental brasileira, até que comecei a explorar o violão como algo maior que um instrumento de cordas, principalmente, depois do contato com o grupo mineiro Uakti”, diz a artista.
No ano seguinte, Badi Assad ganhou o primeiro, dos inúmeros prêmios da carreira, no Concurso Jovens Instrumentistas. Não chegou a completar 20 anos, quando foi eleita melhor violonista brasileira no Concurso Internacional Villa-Lobos. No ano seguinte, dava o primeiro passo na carreira fora do Brasil como única violonista a representar o País no Concurso Internacional de Viña Del Mar, no Chile.
Para o mundo
Na década de 1990, a musicista transcendeu o instrumental e ganhou o território da voz, iniciando as experimentações vocais que ampliaram infinitamente as fronteiras do seu trabalho. “A mesma inquietação que me levou a redescobrir o violão, me fez conhecer também a minha voz, que surgiu timidamente, mas foi se ampliando, sempre em um exercício experimental”, diz Bad Assad. Em 1993, depois de já ter colaborado com artistas, como George Benson e Hermeto Pascoal, ganhou, definitivamente, o cenário internacional. No ano seguinte, já era indicada pela revista estadunidense “Guitar Player” entre os 100 melhores artistas do mundo.
União de opostos
A versatilidade de Badi Assad ficou evidenciada quando lançou “Chameleon”, em 1998. O quinto disco da carreira apresentou músicas compostas em parceria com o ex-integrante do Megadeth, Jeff Scott Young. O álbum que veio na sequência, “Verde”, de 2004, apresentou interpretações de clássicos de Luiz Gonzaga, Adoniran Barbosa, Vinícius de Morais, Björk e U2. Uma mistura semelhante veio no disco “Wonderland” (2006), com releituras de músicas de Tori Amos a Cartola – eleito um dos 100 melhores discos do ano pela BBC londrina.
“Sou de uma família de músicos, então, desde menina, tinha música na casa, era como respirar. Meus irmãos tocavam um repertório erudito, meu pai ouvia chorinho, minha mãe a música tradicional dos cancioneiros. Minha música incorporou tudo isso e, mais tarde, as minhas vivências. Como era algo muito natural, nunca questionei o que eu fazia, se era algo difícil ou se poderia ser menos complicado para atingir um público ou algo do tipo”, diz Badi Assad, sobre a contribuição da sua carreira para uma popularização da música erudita.
Badi Assad – Discografia

  • CDs solo

“Dança dos tons” – 1989
“Solo” – 1994
“Rhythms” – 1995
“Echoes of Brazil” – 1997
“Chameleon” – 1998
“Verde” – 2004
“Wonderland” – 2006

  • DVD “Badi Assad” – 2010

“Amor e outras crônicas manias” – 2012
“Between love & luck” – 2013
“Hatched” – 2015

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