AACD de Uberlândia inicia atendimentos pela rede particular

por Renato Henriques
A unidade da Associação de Apoio a Criança Deficiente (AACD) de Uberlândia passou a realizar, desde meados de abril, atendimentos pela rede particular. Antes, todos os procedimentos, consultas e terapias eram executados, exclusivamente, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Parcerias com convênios de saúde também estão em fase de negociação. A mudança de diretriz foi uma tentativa adotada para reequilibrar o orçamento da entidade, que tem a média deficitária de mais de R$ 1 milhão por ano.
Apesar do aumento na demanda, a estrutura física não será ampliada, a princípio, mas o grupo diretivo da unidade acredita que o atendimento para pacientes do SUS não será afetado negativamente.
De acordo com o gerente administrativo da AACD de Uberlândia, Marco Aurélio Arantes, o déficit da filial uberlandense é histórico, desde a implementação do serviço na cidade, em agosto de 2001. O gerente afirmou que o orçamento recebido pelo SUS, com base em sua tabela de serviços, contempla apenas 45% das despesas anuais da unidade. “Precisamos ser autossustentáveis, encontrar saídas financeiras com essa realidade. É impossível achar que vamos sobreviver, exclusivamente, com essa tabela deficitária do SUS, na qual recebemos R$ 10 por uma consulta”, disse.

aced4Marco Aurélio Arantes diz que mudança de diretriz não afeta atendimento SUS (foto: Cleiton Borges)

Em 2016, a previsão é que a unidade feche o ano com R$ 1 milhão em déficit. Em 2015, essa quantia chegou a R$ 1,4 milhão. Além dos 45% das despesas pagas pelo SUS, 5% dos gastos são custeados pela administração municipal, enquanto o restante é angariado por meio de doações e organizações de eventos.
O atendimento de 300 pessoas diariamente é feito, atualmente, por 73 profissionais. Arantes não conseguiu dimensionar o aumento na demanda com a mudança de diretriz, uma vez que isso dependerá da resposta da sociedade. “Não corre risco de haver interferência no atendimento do SUS. É justamente o contrário. Estamos buscando novas receitas para beneficiar essas pessoas”, afirmou.
Por lei, a entidade filantrópica precisa contemplar, no mínimo, 60% do atendimento ao SUS.aced
Unidade espera resposta de convênios
A AACD entrou em contato e fez propostas de parcerias com várias empresas de convênios de saúde, mas ainda não obteve respostas. Para cada consulta conveniada, o lucro para a unidade poderia chegar a R$ 100.
A expectativa é que, a partir da confirmação dos convênios, o aumento na demanda e na receita comece a ocorrer de forma mais substancial. Desde a mudança nas regras de cadastramento de pacientes, apenas cinco pessoas foram atendidas por meio de pagamento. Os valores cobrados pelos procedimentos não foram divulgados.
AACD de Uberlândia atende 38 municípios
A AACD de Uberlândia atende, atualmente, 38 municípios da região, em um banco de cadastro que contempla 7 mil pessoas.
Elizete Rodrigues da Silva é natural de São Gotardo, a 236 km de Uberlândia. Seu filho de 3 anos sofre de artrogripose, doença que afeta o desenvolvimento dos membros. Desde o nascimento do filho, ela sai de sua terra natal semanalmente para que ele receba intervenções na unidade. “Quando ele nasceu, mal mexia os braços. A gente não tinha nem noção do que fazer para seu desenvolvimento. Com as fisioterapias aqui, ele melhorou muito. Ficaria muito difícil se não houvesse a AACD”, disse Elizete Silva.
O atendimento pelo SUS é feito por meio do método de regulação, na qual as pessoas são encaminhadas por outras unidades públicas de saúde da rede cadastrada. No caso do atendimento particular ou conveniado, o paciente tem o direito de marcar a consulta diretamente com a AACD sem intermediações. aced2

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