Conheça a trajetória política do uberlandense Rondon Pacheco – HBLOG

por Arthur Fernandes – Especial para o CORREIO

Único uberlandense a governar Minas Gerais e o primeiro a representar o Município na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara dos Deputados, Rondon Pacheco, 96 anos, nasceu no dia 31 de julho de 1919, em Uberlândia, quando a cidade ainda se chamava Uberabinha. O filho de Raulino Cotta Pacheco e Nicolina dos Santos Pacheco também foi o único cidadão uberlandense a ocupar um cargo ministerial da Presidência da República, quando foi ministro chefe da Casa Civil, entre 1967 e 1969, durante o mandato do ex-presidente e general Arthur da Costa e Silva.
Estudante do Ginásio Mineiro e do Liceu de Uberlândia, onde também deu aulas para estudantes contemporâneos, Rondon Pacheco mudou-se para Belo Horizonte em 1937, onde ingressou na Faculdade de Direito. Foi presidente do Centro Acadêmico Afonso Pena, quando já participava da oposição ao Estado Novo. Formou-se em 1943 pela Faculdade de Direito de Minas Gerais e começou a atuar na carreira advocatícia naquele mesmo ano.
“Terminei o meu curso superior na escola federal em Belo Horizonte e comecei a advogar naquela cidade para os uberlandenses, que me mandavam as suas causas, inclusive os meus colegas advogados”, afirmou Rondon Pacheco em declaração publicada em reportagem comemorativa do CORREIO de Uberlândia pelos 90 anos do político no dia 31 de julho de 2009.abondon3
Na capital mineira Rondon ingressou na política partidária, filiando-se à UDN (União Democrática Nacional), partido que ajudou a fundar, ao lado de Pedro Aleixo, em 1945. Na época, foi um dos signatários do Manifesto dos Mineiros, documento de contestação a Getúlio Vargas, que defendia o fim da ditadura do Estado Novo.
Na Assembleia Legislativa mineira Rondon Pacheco foi deputado estadual entre 1947 e 1951. Com 26 para 27 anos, foi eleito deputado constituinte e ajudou na elaboração da Constituição Estadual de 1947. “Uberlândia, naquele tempo, ainda não tinha feito um representante. Eu fui o primeiro a ser convocado”, afirmou Rondon na reportagem do CORREIO sobre os seus 90 anos. Em um período de redemocratização brasileira, pós-Estado Novo e ditatorial de Getúlio Vargas (1937-1945), Rondon Pacheco foi colega constituinte do então relator-geral da Constituição Mineira e futuro presidente da República Tancredo Neves, que era do PSD.abondon2
 
Linha do tempo:

  • Nasce em Uberlândia, no dia 31 de julho de 1919, Rondon Pacheco, filho de Raulino Cotta Pacheco e Nicolina dos Santos
  •  Em 1937, aos 18 anos, muda-se para Belo Horizonte, onde ingressa na Faculdade de Direito. Na capital mineira, preside o Centro Acadêmico Afonso Pena e faz oposição ao Estado Novo.
  • Torna-se bacharel em Direito em 1943 e começa a exercer a advocacia na capital mineira. Casa-se com Marina de Freitas Pacheco.
  • Filia-se à UDN (União Democrática Nacional), partido que ajudou a fundar, ao lado de Pedro Aleixo, em 1945.
  • Candidata-se à Assembleia Constituinte mineira em janeiro de 1947. Obtém a 1ª suplência e assume o mandato com a saída do deputado estadual Miguel Batista Vieira.
  • Em outubro de 1962 torna-se o segundo udenista mais bem votado em Minas Gerais, reelege-se deputado federal.
  • Em 31 de Março de 1964, durante uma sessão da Câmara dos Deputados, lê o manifesto lançado pelo governador de Minas, Magalhães Pinto, declarando o Estado revolucionário no País, no momento em que as tropas da polícia mineira marcharam para o Rio de Janeiro e para Brasília.
  • É reeleito deputado federal pela Arena em novembro de 1966.
  • Assume a chefia a do Gabinete Civil da Presidência da República na posse do presidente Arthur da Costa e Silva em 15 de Março de 1967.
  • No dia 13 de dezembro de 1968, na reunião do Conselho de Segurança Nacional, que  antecedeu à edição do Ato Institucional Nº 5, o AI-5, foi contrário ao fechamento do Congresso e à dissolução do Supremo Tribunal Federal. Apresenta proposta de emenda que estabelecia a vigência de um ano para o AI-5, ideia refutada pelo presidente Costa e Silva.
  • Rondon Pacheco encerra gestão no Gabinete Civil no dia 30 de Outubro de 1969, quando o general Emílio Médici assume a Presidência. No dia seguinte retoma mandato parlamentar.
  • Em julho de 1970, Rondon Pacheco é nomeado pelo presidente Médici candidato oficial ao governo de Minas Gerais. Eleito governador em 3 de outubro, transmitiu a presidência da Arena a João Batista Ramos.
  • No mês de março de 1973, assina protocolo de intenções com a maior indústria automobilística italiana, a Fiat, para a instalação de uma fábrica de automóveis em Betim, com capacidade de produção anual de 200 mil carros e 155 mil motores.
  • Encerra o mandato à frente do governo de Minas Gerais em 15 de março de 1975.
  • Em abril de 1976, assume a presidência da Usiminas.
  • Já em 1977, apoia a iniciativa do presidente Ernesto Geisel de estudar a revisão dos Atos Institucionais, por considerá-los “Transitórios por índole”.
  • Com o fim do bipartidarismo em 1979, ingressou no Partido Democrático Social (PDS), da base governista.
  • Em novembro de 1982, candidata-se a deputado federal e é reeleito para mais um mandato.
  • No dia 15 de janeiro de 1985, no Colégio Eleitoral, o deputado federal Rondon Pacheco vota no candidato oposicionista Tancredo Neves, que é eleito presidente da República pela Aliança Democrática – coligação do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal.
  • Em novembro de 1986, após não conseguir ser eleito ao Senado, Rondon Pacheco encerra a carreira política e opta por não disputar mais nenhum cargo eletivo.
  • No ano de 2006, é convidado pelo governador Aécio Neves a assumir cargo no Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).abondon abondon3

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